Os erros de designer que ninguém admite, mas, todo mundo comete.

Publicado em 15/04/2026

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Tem uma lista não oficial de erros que circula entre designers. Não está escrita em lugar nenhum, mas você reconhece cada item porque já viveu pelo menos metade deles. Alguns na semana passada.

A boa notícia é que errar é inevitável. A melhor notícia é que a maioria desses erros tem padrão, e padrão dá para antecipar.

Começar pelo visual antes de entender o problema

É o erro mais comum e o mais difícil de largar, porque parece que você está sendo produtivo. Você abre o Figma, começa a testar fontes, monta uma composição, sente que o trabalho está andando.

Mas se você ainda não entendeu o que o projeto precisa comunicar, para quem, em que contexto e com qual objetivo, você está construindo em cima de areia. Pode ficar bonito. Provavelmente não vai funcionar.

Design que parte do estético antes do estratégico costuma cair em revisão longa, porque o cliente sente que algo está errado mas não consegue nomear. E o que está errado não é a cor ou a fonte. É que o trabalho resolveu um problema que ninguém pediu.

Apresentar opções demais

Você fez três versões. Acredita na segunda, mas não quer parecer impositivo. Então apresenta as três, deixa o cliente escolher, e o cliente escolhe a primeira porque foi a que viu primeiro ou porque a segunda parecia arriscada demais.

Oferecer escolha parece generoso. Na prática, transfere responsabilidade para quem não tem o repertório técnico para decidir.

Designer experiente apresenta a solução em que acredita. Pode trazer uma alternativa de caminho, com justificativa clara. Mas não entrega um buffet de opções e chama isso de processo criativo.

Evitar a conversa difícil até que seja tarde demais

O cliente está indo numa direção que vai dar errado. Você percebe. Mas está com medo de parecer difícil, de perder o projeto, de soar arrogante. Então deixa pra lá, entrega o que foi pedido, e espera.

Aí o projeto vai ao ar, não funciona, e você fica com a sensação amarga de ter feito o que sabia que estava errado.

A conversa difícil no início do projeto custa muito menos do que o retrabalho no final. E cliente que não aceita ser questionado tecnicamente provavelmente vai ser difícil em várias outras etapas também. Isso é uma informação útil para ter cedo.

Subprecificar para não perder o projeto

Funciona uma vez. Às vezes duas. Depois cria um ciclo que é difícil de sair: você atrai clientes que escolhem pelo preço, que valorizam pouco o trabalho, que pedem muito e pagam pouco, que drenam energia que poderia ir para projetos melhores.

O pior é que subprecificar não é só um problema financeiro. É um problema de posicionamento. Preço baixo comunica algo para o mercado, e o que comunica raramente é “sou acessível e generoso”. Comunica “não tenho certeza do meu próprio valor”.

O cliente certo para o seu trabalho existe. Ele não está buscando o mais barato. Está buscando o que ele pode confiar. Preço inadequado afasta esse cliente antes mesmo de você ter a chance de mostrar o que faz.

Não documentar decisões

O projeto termina, o arquivo vai para a pasta de entregues, e você segue em frente. Seis meses depois, o cliente volta pedindo uma peça nova, e você não lembra qual era a fonte, qual versão do logo foi aprovada, qual paleta estava vigente.

Documentação de projeto não precisa ser burocrática. Um arquivo simples com as decisões principais, as justificativas, os assets organizados e os arquivos editáveis salvos direito já resolve 90% dos problemas futuros. E faz você parecer muito mais profissional quando o cliente volta.

Achar que o portfólio vai falar por você

O portfólio importa. Mas ele não fecha projeto sozinho. O que fecha projeto é como você se comunica, como você explica o processo, como você demonstra que entende o problema do cliente antes de falar em solução.

Designer que só manda o link do Behance e espera está deixando muita coisa na mesa. O diferencial não está no que você fez. Está em como você pensa. E isso precisa aparecer na conversa, não só no arquivo.

Um erro que vale destacar separado

Tem um erro mais sutil que todos os outros: achar que você já sabe o suficiente.

O mercado criativo muda rápido. As ferramentas mudam. O comportamento do consumidor muda. O que funcionava em identidade visual há três anos pode parecer datado hoje. O que era tendência virou clichê. O que era clichê voltou como referência irônica.

Designer que para de aprender não fica parado. Fica para trás. E o mercado não avisa quando isso acontece.

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monique

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